CPI da Prefeitura: desvios ultrapassam R$ 4 milhões, aponta relatório preliminar
De acordo com o relatório, foram realizadas 822 transferências suspeitas entre 2017 e 2025, período sob análise da CPI.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na Prefeitura de Joaçaba identificou que os valores desviados de contas públicas superam R$ 4 milhões. Os dados constam em levantamento conduzido pelo relator da comissão, vereador Jean Calza (MDB).
De acordo com o relatório, foram realizadas 822 transferências suspeitas entre 2017 e 2025, período sob análise da CPI e demais órgãos de investigação. Os recursos teriam sido movimentados de contas oficiais do município para contas pessoais do então tesoureiro. As apurações indicam uma escalada significativa nos valores desviados ao longo dos anos — de cerca de R$ 40 mil em 2017 para aproximadamente R$ 1 milhão em 2024.
As transferências partiam de contas que recebem repasses de tributos estaduais e federais, como o ICMS. Segundo o relator, a fragilidade nos mecanismos de controle teria facilitado o aumento progressivo dos desvios.
Calza explica que o recorte temporal da investigação começa em 2017, quando os sistemas da prefeitura passaram por informatização, permitindo maior precisão na análise dos dados. Ele não descarta, contudo, a ampliação das investigações para períodos anteriores. “Há possibilidade de avançarmos para anos anteriores, considerando que o servidor investigado ocupou o cargo de tesoureiro por mais de 30 anos”, afirmou.
Nas últimas semanas, a CPI intensificou a coleta de depoimentos, ouvindo representantes das instituições financeiras onde foram identificadas movimentações atípicas — Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Os relatos colhidos indicam que o tesoureiro utilizava múltiplas senhas, criadas por ele próprio, incluindo credenciais vinculadas a prefeitos e secretários.
Em sessão realizada na tarde de segunda-feira (4), a comissão deliberou pela solicitação de novos documentos ao Tribunal de Contas, ao Ministério Público e a Polícia Civil, órgãos que já investigam o caso desde dezembro de 2025, quando as irregularidades foram inicialmente apontadas pelo Tribunal de Contas. A CPI também requisitou informações adicionais à Prefeitura de Joaçaba.
“Estamos reunindo documentos que possam esclarecer o destino dos recursos desviados”, disse o relator. Além de Jean Calza, integram a CPI o vereador Diego Bairros, presidente da comissão, e Ricardo Menezes, membro. Também foram convocados para prestar depoimento, na condição de testemunhas, o ex-prefeito Dioclésio Ragnini, o ex-secretário de Finanças Jorge Dresch e o atual prefeito Vilson Sartori. A próxima sessão da CPI está marcada para a próxima segunda-feira, dia 11.
Fonte: Assessoria de Imprensa
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